Depois de muitos anos sem saber bem o que era isso do vegetarianismo houve um momento na minha vida que me fez despertar: era o aniversário da Maria e a avó ofereceu-lhe um aquário com um peixinho, “olha, Maria, é um peixinho!”, “ah, eu quero comê-lo!”. Aquela afirmação fez-me cair a ficha! Primeiro paralisei, depois reflecti e conclui: “claro, a Maria reagiu de forma natural e em consonância com aquilo que lhe transmitimos: “Maria, come o peixinho”, “vá, come o peixinho!”. Ui…. de facto.. fazemos coisas ao longo da nossa vida de forma totalmente inconsciente, e esta é uma delas.

Passamos a infância a ouvir, “come a carne”, “come o peixe”.. sem nunca questionarmos o que é, afinal, a carne e, pelos vistos.. o peixe.. sem fazermos a conexão..

Foi a partir deste episódio que decidi mudar a nossa alimentação: eliminar tudo o que fosse de origem animal, não só a carne (já lá iam uns largos anos de abstinência), mas também o “peixinho”, os ovos, os lacticínios e o tão inofensivo mel.

 

 

 

 

 

Comecei a pesquisar sobre veganismo e  o que me apareceu à frente dos olhos foi demasiadamente forte, chocante e inacreditável: “como pude andar cega todo este tempo?”, “por que é que ninguém fala nisto?!”, “mas toda a gente tem que saber isto!”. Pesquisei mais, li imenso e foi com um vídeo no youtube (“a melhor palestra que você irá ouvir na vida, de Gary Yourofsky) que decidi que tinha que fazer alguma coisa, em nome de todos os animais massacrados, assassinados e silenciados.. em nome da indústria alimentar.. e não só..

Se até este momento julgava que era “vegetariana” para não causar sofrimento animal (que ousadia a minha, julgar-me defensora dos animais e continuar a comê-los..!), então agora, a causa de animal ressoou em mim algo que nunca imaginei vir a sentir: impulso de mudança imediata e de partilhar com o mundo esta minha descoberta!

O confronto com a realidade da exploração animal, depois de 30 e poucos anos de inconsciência, fez-me agir.

Eliminei tudo o que tivesse origem animal da nossa alimentação; passei a ter mais atenção ao vestuário e calçado (já não usava couro, peles ou lãs); e comecei a usar detergentes, produtos de higiene e cosmética cruelty free, sem ingredientes de origem animal e, também, mais ecológico-sustentáveis.

Nunca gostei de touradas e de circos, e os jardins zoológicos faziam-me confusão.. Sempre tive animais “de estimação” (cães, gatos, pássaros, peixes, tartarugas, pato e corvo) e nunca me questionei sobre a liberdade que lhes roubava ou porque amava uns e comia outros (esta afirmação só agora surge e faz sentido!).

Hoje temos três cães fabulosos e hoje sei que são seres sencientes, tal e qual como nós, seres humanos, e como todos os animais que nos chegam ao prato. Hoje sei que não somos os seus “donos” mas sim seus cuidadores e amigos. E podia ficar aqui horas a falar sobre isto!

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