Quem me segue desde sempre, sabe que raramente publico receitas. Adoro cozinhar e ver livros de cozinha, mas também adoro improvisar e quase nunca as sigo à risca. Cozinhar de forma intuitiva faz parte de mim e passar receitas “para o papel” tem sido um enorme desafio!

Mas não é deste desafio que vos venho falar.. Conheci, recentemente, a Evervegan – mais propriamente a Tânia e o Nuno, no Hoffdot Vegan Fest 2018 – que me desafiou a conhecer os produtos que estão a comercializar, prová-los (a parte mais fácil!!) e incorporá-los em receitas veganas. Para quem ainda não conhece, a Evervegan trouxe para Portugal uma imensidão de coisas boas que vieram alegrar a vida de muitos veganos (e não só)! Falo de leite de coco condensado e evaporado, chantilly, natas para bater que resultam.. enfim, visitem o site e dêem pulos de entusiasmo, como eu dei!

Foi no Hoffdot Vegan Fest que tive a oportunidade de assistir a um showcooking, em que a Tânia preparou uma misturada que me fez torcer o nariz: “que cheiro (horrível) a ovo!!” Devo dizer que fiquei curiosa e surpreendida: provei deliciosas panquecas (as melhores, até agora e desde que sou vegana – pelas mãos da Inês, da Lancheira Vegan), feitas com aquela mistura de “ovo” e com toppings de chorar por mais (também falarei destes.. noutro momento)!

De volta ao Entroncamento, com mil ideias a fervilhar e sem saber por onde começar, sou novamente desafiada: “como se faz lemon curd sem ovos, sabes?” E plimmm!! Decidi experimentar fazer o famoso creme de limão inglês, lemon curd à minha maneira!

O lemon curd é um creme que deve o seu sucesso ao uso de ovos e de manteiga (e de limões, claro!). Nunca provei, confesso, e nunca tive o impulso de o tentar veganizar, talvez por isso mesmo.. e por me ter habituado a não necessitar de recriações ipsis verbis, ainda para mais quando falamos de ovos..  Mas foi exactamente por isto que me desafiei a contrariar esta minha tendência.. e também pelos imensos limões acabados de colher..

Quem me segue, mesmo que não seja desde sempre, sabe que não uso açúcar em nada. As tâmaras fazem parte do meu dia-a-dia e recorro aos (outros) adoçantes naturais muito ocasionalmente, consoante as receitas. Esta é uma das que pede um adoçante específico, neste caso de cor branca, para deixar brilhar a cor amarela do limão.. e do vEGGs..

Vamos à receita?

Ingredientes:

– 2 colheres de sopa de farinha de araruta*
– 4 colheres de sopa de geleia de arroz em pó**
– 1 chávena de creme de coco
– 1/2 chávena de sumo de limão (usei 4 limões médios)
– raspas de limão (usei dos 4 limões)
– 2 colheres de sopa de óleo de coco
– 3 vEGGs***

Preparação:

1. Num tacho, misturar a farinha de araruta com a geleia de arroz e o creme de coco, mexendo bem, até desaparecerem os grumos. Juntar o sumo e a raspa de limão e levar a lume brando.

2. Numa taça, colocar 3 colheres de água e 3 colheres de pó vEGGs (seguindo as instruções da embalagem), misturar bem e não desanimar com o odor que exalará (;  | O cheiro deve-se ao sal negro (Kala Namak), e há quem diga que deixa um sabor semelhante ao do ovo.. |

2. Quando a mistura do tacho começar a engrossar, retirar do lume e incorporar o “ovo batido”, mexendo sempre, até obter um amarelo uniforme. Levar novamente ao lume, juntar o óleo de coco e mexer mais um pouco, o suficiente para conseguir um creme aromático e aveludado.

Pode ser guardado em frascos de vidro e, depois de completamente frio, devorado assim mesmo, à colherada. Também pode ser usado como recheio de tartes e bolos, como topping de crepes e panquecas ou para criar sobremesas de colher, como parfaits, pudins, mousses, gelados..

Experimentem.. e contem como foi!

Notas:

* a farinha de araruta pode ser substituída por amido de milho (de preferência biológico) 
** a geleia de arroz em pó pode ser substituída por outro adoçante a gosto
*** o vEGGs é adequado parar receitas onde o ovo seria usado como pasta, para dar liga ou cor

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